domingo, 5 de junho de 2016

Algumas reflexões sobre a PL 4.253/2015, nossos órgãos de representação profissional e a qualidade do serviço prestato pelos museus públicos

Texto enviado por um (a) de nossos (as) leitores (as):


"O engraçado que a PL considera desnecessário o cargo de museólogo e cria vagas para Arquivistas e Bibliotecários. Isso mostra a fraqueza e a ineficiência das nossas instituições de representação. 

Temos que fazer alguma coisa, não dá para ficar em cima do muro com relação a esse assunto tão sério. 

Trabalho numa Prefeitura com condições precárias de trabalho, já fiz várias denúncias ao COFEM e COREM, denunciamos também ao Conselho de Biblioteconomia e este, pelo contrário, foi atuante, multou a Prefeitura, mandou destituir os cargos irregulares que exerciam funções similares as atribuições de Bibliotecário e que eram exercidos por outros profissionais ou chefias, e todas as pessoas têm isso bem claro que não pode existir uma Biblioteca sem a atuação desse profissional essencial. 

Vejo também a atuação do Conselho de Medicina que interdita Hospitais sem condições de atendimento ao público, e me pergunto quantos museus temos pelo país sem condições alguma de visitação e estão abertos, colocando em risco trabalhadores e visitantes. Não estou falando de recursos e condições ideais, estou falando de condições mínimas de segurança (parte elétrica, vigias, prevenção contra incêndios, infraestrutura e manutenção arquitetônica), de serviços básicos (como banheiros, bebedouros, informação mínima existentes ou descentes). Isso pra mim não é ampliar o acesso ou a democratização da cultura. 

Uma instituição a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento tem que ser de qualidade, assim como as escolas públicas não pôde apenas estar aberta ao acesso universal e sim exercer seu papel fundamental com qualidade de serviço público. No entanto a participação e atuação tem que ser de toda a categoria, tanto dos órgãos de representação e também dos indivíduos em seu local de trabalho, moradia e lazer, mas ao mesmo tempo depois de tantas denúncias me senti sozinha na luta."

Entenda:
"O projeto aprovado na Câmara foi enviado ao Congresso em 2015, pelo governo Dilma. Acaba com mais de 16 mil cargos na máquina federal em todo o Brasil.
Funções que, segundo o governo, deixaram de ser necessárias em vários setores do serviço público federal como museólogo, agente administrativo e técnico."

"Veja os órgãos que tiveram criação de cargos:
- Imprensa Nacional: 62 cargos de nível superior, sendo 17 de Analista Técnico Administrativo; 26 de Analista de Publicações Oficiais; 1 cargo de Arquivista; 2 cargos de Bibliotecário; 2 de Contador; 2 de Engenheiro; 1 cargo de Estatístico; 1 de Historiador; 9 de Técnico em Comunicação Social; e 1 de Museólogo."

"Cria, transforma e extingue cargos e funções, reestrutura cargos e carreiras, altera a remuneração de servidores, altera a remuneração de militares de ex-Territórios Federais, altera disposições sobre gratificações de desempenho, dispõe sobre a incidência de contribuição previdenciária facultativa sobre parcelas remuneratórias, modifica regras sobre requisição e cessão de servidores, e dá outras providências."

Um comentário:

  1. Me dói, ver esta geração de museólogos lutando, pelo mesmo motivo pela qual lutamos, desde 1973, qdo me formei. O reconhecimento e respeito pela nossa profissão de museólogo tem altos e baixos. No período em q o Ministro era o Gilberto Gil estivemos em alta. Agora estamos entrando em baixa, novamente e, a luta continua.

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